26-Mai-2016
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Seios: a quem pertencem?

Recente pesquisa revela que trinta e oito porcento dos ingleses desconhecem o tamanho das mamas de suas parceiras. E os brasileiros? Atualmente, em nosso meio, os seios fartos predominam como preferência e quase ideal de beleza. Ainda que algumas vezes exagerados, artificiais e até agressivos, normalmente conferem mais segurança, confiança e atração à mulher.

Símbolo maior de feminilidade em nossa cultura, eles devem ser vistos dentro de uma perspectiva histórica e cultural. Apesar de hoje o mundo ocidental mostrar sua clara preferência por seios avantajados, cheios e firmes, a história da civilização mostra como os seios influenciaram e foram influenciados por fatores e questões culturais, políticas, médicas e artísticas. Nas culturas primitivas os seios eram venerados como objeto sagrado, representando a única fonte de alimentação infantil. Na idade média, a repressão à sexualidade imposta pela Igreja Católica levou a seu virtual e impositivo ocultamento. No Renascimento, os seios reconquistam todo seu esplendor e erotismo. A Revolução francesa acabou por politizar estes belos órgãos, convertendo-os em símbolo de igualdade, liberdade e fraternidade, “abertos a todos os cidadãos”. Na revolução industrial, os seios assumem seu valor mercantil, consumindo avidamente soutiens e lingeries produzidos pela emergente indústria têxtil. À semelhança dos anos sessenta, quando muitas mulheres abriram mão de seus soutiens ou deixaram transparecer que o ato de amamentar poderia estar relacionado à sensualidade, recentemente elas voltam a assumir a posse e domínio de seus seios, decidindo por exibi-los mais ou menos explicitamente, ainda que isto choque a muitos.

Aos destinatários e admiradores das mamas, Marilyn Yalom, professora da Universidade de Stanford e autora do livro A history of the Breast, adverte para o que denomina Síndrome da Inveja. Segunda ela, os homens nunca superaram a obsessão infantil pelos seios e passam a vida tentando regressar ao paraíso perdido. E acrescenta que a moda de seios grandes e pequenos se alterna a aproximadamente cada 60 anos. Isto significa que aquelas mulheres menos dotadas que não estejam dispostas à colocação de silicone nas mamas devem esperar até o ano de, provavelmente, 2020 para estar “na moda”. Ainda segundo a historiadora, a mama funcionou ao longo da história na civilização ocidental como uma espécie de pêndulo, projetando suas fantasias sobre maternidade, sexualidade, liberdade ou dependência, entre outras. E questiona: afinal, a quem pertence a mama? Aos bebes que encontram afeto e alimento, ao homem que vê erotismo e sexo, ao médico que encontra e trata a doença, ao artista que nela se inspira; ao comerciante que busca seus dividendos.

Independente de caráter erótico, doméstico ou cívico, seriam estes órgãos de posse restrita apenas da mulher? Mesmo com todo o potencial de prazer, força, sustento ou medo, as mamas parecem pertencer a todo ser humano, transcendendo todo seu simbolismo. A propósito, qual o tamanho do soutien de sua parceira?

Dr. Alberto Goldman
CREMERS 14581
Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Membro International Society of Aesthetic Plastic Surgery

 
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