24-Jul-2016
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Publicações Científicas
 
Antigas Novidades de Cara Nova

Horário nobre na TV. Com pompa, show de imagens, depoimentos e algum sensacionalismo. Bem ao gosto de muitos. Sexta-feira. Assim acaba de surgir mais uma novidade para rejuvenescer e ficar com uma aparência sempre jovem e bonita (sem dúvidas, ainda não a última novidade). Rápida, sem dor, incrível, mas muito, muito cara. Mais do que isto, segundo o depoimento de médicos mais “atualizados”, este novo recurso acaba virtualmente aposentando métodos e técnicas científicas tradicionais e consagradas, colocando-os no roll de recursos ultrapassados ou em desuso.

Os milagres (e milagrosos) não são exclusividades da medicina. Existem em todos os ramos da atividade humana. É principalmente numa época de culto e busca à beleza, à saúde e à qualidade de vida que acabamos ficando mais vulneráveis, suscetíveis a estas ofertas, técnicas, produtos ou equipamentos que virtualmente caem do céu. Exemplos disso são o colágeno em pó que, a preço de pó de ouro, prometia rejuvenescer a pele e o corpo, os cremes antiestrias ou rugas, equipamentos anticelulite, fios de um metal nobre (com resultado pobre) terapias alternativas, somente para lembrarmos de alguns. Quantos “melhores e mais seguros equipamentos do mercado” você já viu anunciado? E lasers de última geração? Ou técnicas milagrosas para corrigir o erro (erro?) de colegas mal preparados. E aquele creme que, apesar de um pouco caro, apresentaria o mesmo efeito que alguns medicamentos que exigiram anos e anos de estudos antes de ser indicadas aos pacientes. Percebeu como e quantos outros profissionais médicos, sem o devido preparo e formação, divulgam a cirurgia plástica? Mais grave, tentam exercê-la sem sequer haver cursado parte do longo e difícil caminho do cirurgião plástico (seis anos de medicina, dois de cirurgia geral e, finalmente, dois ou três de especialidade). O mesmo ocorre com a nobre especialidade dos dermatologistas. Percebeu como parece fácil fazer “medicina estética”?

Pois agora é a vez de um equipamento multifunção: ela faz um diagnóstico das alterações da pele, a esfria e usa um milagroso raio laser para tratar suas imperfeições. Tudo isto sem dor, numa questão de segundos, com efeitos milagrosos, ainda que um pouco caros. A paciente depõe em seguida sobre as maravilhas da novidade (após um bom corretivo, batom e penteado, claro!) Tudo demonstrado na TV por um médico de um país muito moderno e poderoso que, infelizmente, esqueceu não só de vestir seu jaleco branco e honrado mas, também e principalmente, dos óculos de proteção, indispensáveis nos tratamentos a laser.

O uso destes equipamentos laser de última geração não é novidade em nosso meio. Há alguns anos vários colegas brasileiros, seguindo a nobre tradição da boa medicina brasileira (e gaúcha!) se dedicam com seriedade, ética e ciência a esta área. Nossos colegas dermatologistas conhecem desde há muito tempo o diagnóstico de alterações e tumores de pele com o auxílio da imagem (dermatoscopia) e, mais modernamente, da ultrasonografia de pele. Não é novidade. A importância do esfriamento da pele nos tratamentos a laser é conhecida, pelo menos, há oito anos. Cremes que tingem os pêlos antes de sua remoção com o laser, luzes ou substâncias que auxiliam na identificação de alterações de pele também não são novidades. Finalmente, a associação de todos estes recursos como métodos auxiliares ao tratamento laser já são utilizados há alguns anos por aqui. Isto vale para a remoção de pêlos, tratamento de alterações vasculares, manchas ou para rejuvenescer. Muitas são as publicações médicas no Brasil e exterior sobre o tema.

O certo é que, enquanto existirem consumidores para estes milagres, as “antigas novidades de cara nova” continuarão invadindo os meios de comunicação, nossos ouvidos e nosso bom senso. Mas, por favor, continuemos acreditando em Papai Noel. Se não nele, pelo menos em seu simbolismo.

Alberto Goldman, cirurgião plástico.

 
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